quarta-feira, 2 de abril de 2014

Deputada petista rebate denúncias da professora Ana Caroline de forma desonesta


Recentemente, o excelente trabalho da professora Ana Caroline Campagnolo — autora do canal Vlogoteca, no Youtube — foi parar em uma sessão extraordinária da câmara dos deputados de Santa Catarina. Na ocasião, o deputado Kennedy Nunes (PSD-SC) levou as (gravíssimas) denúncias feitas pela professora Ana Caroline relatando uma reunião de professores para revisão das diretrizes educativas estado. A deputada Luciane Carminatti (PT-SC) pediu a palavra e fez um longo discurso supostamente rebatendo a fala de Ana Caroline. Vamos apontar os truques empregados pela bandida. Assistam o vídeo, caso não queira ver todo, a fala da deputada começa aos 7 minutos e 50 segundos.



Colocações da deputada com apontamentos:

01) Me causa espanto essa educadora ignorar o materialismo histórico dialético. 

Em que trecho da fala de Ana Carolina ela afirma que ignora o materialismo histórico dialético? Se Ana Carolina não faz tal afirmação, o que leva a deputada a inferir que ela ignore o materialismo histórico dialético? O lícito não seria ser capaz de compreender que a crítica que Ana Carolina faz no vídeo dela nasce exatamente do fato de ela conhecer o materialismo histórico dialético??? Que feio, deputada! Afirmar que Ana Carolina IGNORA o materialismo histórico dialético não passa de um expediente DESONESTO, criado sob medida para enganar a plateia. A senhora engana à sua súcia, não à mim!

02) "Os EUA discutem muito mais Paulo Freire do que o Brasil."

Outro truque desonesto. Discutir Paulo Freire é MUITO DIFERENTE de adotar seu modelo pedagógico em sala de aula. A discussão é feita por pessoas que já possuem formação intelectual. Discussão é um EMBATE no qual uma parte se pronuncia a favor e outra, necessariamente, pronuncia-se contra. O que Ana Carolina está propondo, no vídeo dela, é, PRECISAMENTE, que se discuta Paulo Freire, no lugar de empurrá-lo goela abaixo, como faz a secretaria de educação de Santa Catarina.

Os críticos americanos ao pensamento de Paulo Freire atribuem a derrocada da educação americana exatamente à adoção das ideias enfermiças desse senhor (ou de ideias igualmente enfermiças de similares a ele). Vejamos o que escreve o colunista Sol Stern no City Journal: “Freire não está interessado nos principais pensadores de educação da tradição ocidental. Em vez disso, ele cita um grupo muito diferente de pessoas: Marx, Lênin, Mao, Che Guevara e Fidel Castro, assim como intelectuais radicais como Frantz Fanon, Régis Debray, Herbert Marcuse, Jean-Paul Sartre, Louis Althusser e Georg Lukács. (...) “Se a formação dos professores é a maior preocupação, trata-se de um desafio à razão que ‘Pedagogia do Oprimido’ ainda ocupe um lugar de destaque nos cursos de treinamento desses professores, que certamente não aprenderão a ser mestres melhores a partir de desacreditadas platitudes marxistas.

03) "Se tem uma coisa que Santa Catarina foi a proposta curricular de Santa Catarina (risinho cínico). A proposta curricular de Santa Catarina é uma referência para o país inteiro".

´Trata-se de um argumento tautológico: a proposta curricular de Santa Catarina é excelente porque é referência e é referência porque é excelente. A tautologia está para o raciocínio assim como uma colisão frontal está para a habilidade de conduzir um carro.

04) "Porque na educação nós já ultrapassamos a visão positivista..."

Alô? Será que essa senhora teria alguma noção (por remota que seja) do significado da palavra "positivismo" ???? Será que ela já ouviu falar de Auguste Comte, ou está usando a palavra somente para florear a fala com uma "palavra bonita", na esperança de que os ouvintes sejam ainda mais ignorantes que ela mesma?

05) "... autoritária, conservadora, do aluno ficar de joelho para o professor e só o professor ser o dono da verdade".

Tirada a carga negativa que ela pretende impingir à professora ao fazer uso do adjetivo "conservador" (forçando a associação do "conservadorismo" com "autoritarismo"), não sobra nenhum conteúdo da colocação. Um aluno de primeiro grau não tem a MENOR condição de se colocar em pé de igualdade com o professor. É, precisamente, a diferença de capacidade intelectual (que espera-se ser favorável ao professor) que o faz procurar a escola. Se ele já tem bagagem e conhecimento suficientes para "discutir/debater" com um professor de primeiro grau, ele não deve estar no primeiro grau, mas sim em uma faculdade. Essa metologia paulofreriana tem apenas convencido várias gerações de que eles podem ter uma opinião sobre um assunto, mesmo que jamais tenha ouvido sequer falar desse assunto. 

06) "O que está por trás desa fala é voltar àquela educação onde saber popular não entra...".

O que é o "saber popular"? Trata-se de um termo de significado elástico, usado estrategicamente para deixar o significado da frase por conta da livre imaginação de quem a escuta. Na história recente da pedagogia brasileira, "saber popular" se refere ao universo do "preconceito linguístico", ou seja a nefanda noção de que se um professor corrige o aluno que escreve "nois pega os peiche", ele está na verdade sendo preconceituoso contra a uma forma legítima da língua portuguesa, que difere daquela presente nos livros didáticos apenas por conta de sua origem "popular". Se um aluno vai para escola para aprender que "nois pega os peiche" e "nós pegamos os peixes" são ambas formas equivalentes e legítimas, é melhor nem ir. Para que perder anos frequentando a escola? É melhor simplesmente falar errado e investir o tempo em outra atividade, mais rentável ou mais prazerosa. 

07) "... onde não entra o saber das classes populares". 

Claro, a cereja de qualquer fala da esquerda é a boa e velha "luta de classes". Eles dão um jeito de enfiar "luta de classes" em absolutamente TUDO. Eu pergunto: o que é "saber das classes populares"? (Salvo a forma "nois pega os peiche") Será que há classes socio-econômicas até nos "saberes", ou será que essa colocaçao foi forçadamente citada para incluir a luta de classes no agenda, e usá-la para acusar Ana Carolina de "elitista", "fascista", "nazista", "reacionária"?

08) "Aqui não é nenhum professor de esquerda, é a secretaria de estado e educação"

Secretaria de estado e educação composta majoritariamente por professores assumidamente e explicitamente de extrema-esquerda, conforme foi denunciado pela professora Ana Carolina. Mais um raciocínio tautológico. Vamos arranjar uma enxada para essa deputada?

09) "A secretaria de educação chamou 100 professores, entre os quais de direita, de esquerda, de centro, (...) todos juntos discutindo"

Ora, se de fato todas as gamas do espectro político estavam representadas na confecção da proposta, então somos obrigados a entender que elas devem estar, necessariamente, representadas na proposta em si. Correto? A abordagem dialética, materialista e o uso de doutrinadores do calibre de Gramsci foram devidamente apontadas pela professora Ana Carolina. Bastaria, para encerrar o assunto, no lugar de tão prolixo discurso que a deputada mostrasse em quais pontos da referida proposta estão sendo abordados os temas e pensadores que interessam aos conservadores e liberais. Caso ela aponte no texto da proposta a referência a alguma material que critique, por exemplo, a ideia da "mais-valia", ou mostre que além de Gramsci e Marx foram citados os nomes de Burke, Mises,Tocqueville, ou, sei lá, Roger Scruton, ela automaticamente ganha a razão e os comentários feitos por Ana Carolina passam a ser improcedentes. Mas é claro que não há nenhuma única vírgula nessa proposta que não esteja alinhada com a agenda da extrema-esquerda, da qual a deputada é uma representante. Assim, no lugar de mostrar a variedade, a diversidade, a pluralidade o o caráter formulado para estimular o dissenso e o debate, por parte da proposta, a deputada precisa se debulhar em frases vazias de significado e empostação de voz beirando a afetação (o riso cínico não faltou). 

Não fosse o suficiente o que vai acima, a fala da deputada foi seguida de uma colocação de um deputado Sargento Amauri Soares (PSOL-SC), na qual ele garantiu que em seu tempo de universidade ele estudou muitos pensadores "de direita". Como exemplo, ele citou o mega-ultra-zilho-direitista Fernando Henrique Cardoso. Ele disse também que teve acesso a pensadores ainda mais "à direita" do que o ex-presidente, mas ele, assim como a deputada petista, se absteve de citar os nomes desses intelectuais direitistas que infectam as cátedras e o sistema de ensino público. A esquerda jura que eles existem e nós seguimos fazendo de conta que acreditamos.

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