terça-feira, 8 de abril de 2014

As 5 características básicas do socialismo


O socialismo é uma ideologia e uma prática política que, em maior ou menor grau, se definem pelas seguintes características:

1- Concepção materialista — Toda a ideologia socialista assenta numa concepção meramente materialista do homem, do mundo e da sociedade. O socialismo autodefine-se como laico e republicano, mas é uma religião na qual a democracia é a divindade, a soberania popular é a fonte da fé, o camarada secretário-geral é o papa e a máquina partidária é o clero.

2- Sobrevalorização do conceito de povo e consequente diluição do ser humano individual — O socialismo concebe a sociedade como um grupo o mais unido e coeso possível, como uma máquina de produção de resultados, com uma consequente diluição do indivíduo. Este valoriza-se pelos resultados que produz do seu trabalho, daí a insistência no trabalho e nos trabalhadores. É a valorização da sociedade em detrimento do indivíduo que implica a luta pela igualdade e pela democracia, em nome da coesão social e da inclusão. A preocupação ecológica entende-se como alargamento da diluição do indivíduo na própria natureza e no Universo. Para o socialismo, o importante é o coletivo e as estatísticas. O indivíduo, enquanto tal, é uma mera peça descartável, só sendo valorizado pelos resultados do seu trabalho. Direitos individuais são considerados privilégios ilegítimos, que é necessário combater. O socialismo ortodoxo também não admite o direito à propriedade privada. Em última instância, resultados é tudo o que contribui para o socialismo atingir e conservar o poder, como os votos.

3- A soberania popular, como fundamento ideológico supremo — Como o socialismo é intrinsecamente materialista, fundamenta-se a si mesmo na soberania popular. A soberania é o topo, acima do qual nenhum poder se reconhece. O socialismo assenta no conceito de democracia radical, divinizada, que não é um meio para atingir outra coisa, é um fim em si mesma. Ora, o objetivo do socialismo é atingir e conservar o poder. Não reconhecendo nada acima da soberania popular, não interessam os meios para atingir e conservar o poder, desde que por ela seja legitimado. Nesta concepção, o que serve para atingir e manter o poder é que se considera valor moral ou verdade. Por exemplo, bom e verdadeiro é o que interessa fazer e dizer para obter votos para o socialismo!

4- Coesão social — Diluindo o conceito de indivíduo, o socialismo tende a eliminar as diferenças individuais, em nome da coesão. Idealmente, o socialismo pretende a coesão social, política e ideológica, o que implica que se torne um regime ditatorial. Esta coesão é imposta por ditadores, investidos do poder divinizado da soberania popular. O ditador socialista é o intérprete supremo da soberania popular, proveniente da divinizada democracia que é um fim em si mesma. É ele que impõe as regras e decreta o que se deve considerar verdadeiro ou falso. Todos os indivíduos são livres de concordar com ele. Mas discordar dele é um insulto gravíssimo antidemocrático, porque é uma heresia contra a divinizada legitimação da soberania popular, rompendo com a sociedade una e coesa. A coesão social obriga a praticar a inclusão e políticas sociais, para corrigir as desigualdades de resultados, anular as diferenças entre indivíduos, torná-los dependentes e daí obter votos. Na prática, a centralização do poder no ditador socialista concretiza-se através dum estruturado aparelho partidário hierarquizado e omnipresente, que tudo controla.

5- Projeto de uma nova sociedade, em luta pela inovação e por uma atitude virada para o futuro — O socialismo teoriza uma sociedade sem classes, com plena igualdade entre indivíduos. Porém, a sua prática política divide a sociedade em duas classes: a classe baixa, em que todos são pobres e totalmente dependentes do Estado; e a classe alta, que é a da máquina partidária. Baseado numa concepção materialista, o socialismo assume a atitude revolucionária de rutura com os valores tradicionais e decreta o que considera inovação e progresso. Então, de acordo com a omnipresente avaliação socialista, todo o indivíduo não enquadrado nesses novos conceitos é considerado um ser inferior, incapaz de acompanhar a revolução em curso e excluído da preconizada nova sociedade.


Fontes: História Da União Soviética, de Cuba, da Coréia do Norte e assemelhados.

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