sexta-feira, 7 de março de 2014

Rodrigo Constantino: Concordo com Jean Wyllys: dá preguiça combater a desonestidade intelectual

Por Rodrigo Constantino

O deputado Jean Wyllys me ataca no GLOBO hoje sem citar meu nome (isso já está virando regra na esquerda, o que demonstra apenas sua falta de coragem para um debate aberto). Chama-me de “desonesto” do ponto de vista intelectual. Sendo a honestidade intelectual aquela que considero minha principal virtude, não posso deixar passar em branco, mesmo vindo de um deputado com apenas 13 mil votos.
O ex-BBB cai em contradição no meio do artigo sem se dar conta (assumindo a premissa agressiva de que goza de honestidade intelectual), comprovando a crítica que eu fiz no meu texto e que ele pretendia refutar. Ele rejeita minha tese (na verdade, não é minha, mas de muitos outros, incluindo Bruce Bawer, um gay *) de que os movimentos pelas “minorias” viraram uma “revolução das vítimas” contra os “imperialistas” ocidentais. Diz ele:
O colunista diz ainda que não me pronunciei sobre a lei de Uganda e acrescenta que as feministas não denunciam a opressão contra as mulheres nos países islâmicos, já que os multiculturalistas “defendem atrocidades em culturas diferentes para negar a superioridade ocidental”, e que, para nós (gays, multiculturalistas, esquerdistas, tudo junto e misturado), toda narrativa deve servir para “pintar o homem branco judeu ou cristão como o maior vilão”.
Mas poucas linhas depois, eis o que ele escreve:
A lei de Uganda, como outras dos 38 países da África que criminalizam a homossexualidade, não provém de nenhum traço cultural africano, mas da herança colonial (a primeira norma antigay de Uganda copiava o artigo 377 do Código Penal da Índia, introduzido pelo Império Britânico: foram os britânicos que levaram as leis “antissodomia” às colônias) e, mais recentemente, da ação das igrejas evangélicas fundamentalistas dos EUA, que investem milhões de dólares para espalhar a homofobia na África e financiar as campanhas dos políticos homofóbicos (assistam ao documentário “God loves Uganda!”). E até onde sabemos, o império britânico e as igrejas evangélicas americanas fazem parte do Ocidente.
Entendeu? A África, o continente mais homofóbico do planeta, com quase 40 países com leis antigays, é homofóbico por culpa… da Inglaterra e dos Estados Unidos!!! Países onde os gays desfrutam de vasta liberdade e inúmeros direitos. Entenderam a lógica? Jean Wyllys, como eu havia dito, é incapaz de acusar a homofobia dos negros africanos, sem jogar a culpa no… homem branco ocidental. Ele, ao tentar me refutar e me acusar de desonestidade intelectual, acaba comprovando que eu estava certo!
Essa esquerda é muito fraca, dá até vergonha alheia. E sim, concordo com o deputado, dá uma baita preguiça. O que dizer de um ativista gay que usa uma boina no estilo Che Guevara, um machista que acreditava na “cura gay” em campos de concentração de trabalho forçado? O que esperar de um ativista gay que nega o esquerdismo do movimento gay (não confundir com os gays em si) e faz parte do PSOL, um partido socialista que enaltece Cuba, a ditadura que mais perseguiu gays no continente?
É muito embaraçoso tudo isso, e mostra, senão a falência de nossa democracia (afinal, ele teve apenas 13 mil votos), a falência de nosso sistema eleitoral, que permite a chegada ao poder de um sujeito que não representa, na verdade, parcela significativa da população brasileira.

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