quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O PT age como o guardião de Havana

Por Rodrigo Constantino

“Maduro tem as melhores intenções, ele quer dar o melhor de si para a Venezuela”, disse o ex-presidente Lula direto de Havana, onde está para coordenar com o ditador Castro as melhores formas de salvar o socialismo decrépito na América Latina. “Acho que, em primeiro lugar, a Venezuela precisa de paz, tranquilidade, para que possa recuperar todo o seu potencial de geração de riquezas e bem-estar para seu povo”, acrescentou Lula.
É uma postura lastimável, vergonhosa. Que geração de riqueza e bem-estar? O bolivarianismo trouxe apenas miséria, inflação, prateleiras vazias e violência. A perda das liberdades básicas foi enorme. Tudo isso em época de paz. As manifestações de agora são uma reação a esse caos todo produzido pelo socialismo do século 21. E Lula prefere ir a Cuba defender este modelo ao lado da mais assassina e longa ditadura do continente?
Demétrio Magnoli, em sua coluna de hoje no GLOBO, afirma que o nosso governo virou o guardião de Havana. Fato inegável. Mas nem por isso deixa de ser asqueroso, principalmente quando lembramos que os petistas ainda fingem ter apreço pela democracia. Qual? A cubana? A venezuelana? Uma piada de muito mau gosto. Demétrio pergunta:
Quem escreveu aquele comunicado vergonhoso? “Os Estados Partes do Mercosul (…) rechaçam as ações criminosas dos grupos violentos que querem disseminar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela”, “expressam sua mais firme rejeição às ameaças de ruptura da ordem democrática” e “confiam plenamente que o governo venezuelano não descansará no esforço para manter a paz e as plenas garantias de todos os cidadãos”. Essas linhas são uma cópia quase literal das declarações do governo da Venezuela. O Brasil só assinou embaixo, produzindo uma das páginas mais sombrias da história de nossa política externa. Qual é a motivação do governo de Dilma Rousseff para rebaixar-se à condição de eco dos sucessores de Hugo Chávez?
E responde depois:
Cuba é o nome da armadilha. De um lado, sem a vasta transferência de recursos proporcionada pela Venezuela, o poder castrista enfrentaria o espectro do colapso. De outro, o governo brasileiro não dispõe das condições políticas necessárias para assumir o lugar da Venezuela. O Brasil já financia o regime dos Castro por meio de obscuros empréstimos do BNDES e das remessas de divisas associadas ao programa Mais Médicos. Entretanto, mesmo diante de uma oposição prostrada, o lulopetismo não tem como vender à nação a ideia de converter o Brasil no Tesouro de Cuba. Como produto do impasse, nossa política externa foi capturada pela crise da “revolução bolivariana”.
A chave para entender a postura vergonhosa de Dilma e a ida de Lula a Cuba está no risco que a queda de Maduro na Venezuela representa para o regime cubano. Seu financiamento vem de lá, dos petrodólares da PDVSA. O Brasil não tem condições de assumir o fardo totalmente – já fez parcialmente, com “Mais Médicos” e BNDES soltando um bilhão de dólares para o porto de Mariel.
O PT, portanto, age como uma espécie de agente cubano na região, tentando dar sobrevida ao mais nefasto regime ditatorial da história da América Latina, responsável pela morte de milhares de inocentes. Lula e Dilma, dessa forma, não passam de “funcionários” dos irmãos Castro, traindo os interesses nacionais em prol da aliança com a ditadura comunista.
É tudo muito abjeto, e nossa fraca oposição sequer consegue atacar direito essa pouca vergonha, quiçá impedir esse abuso de poder que cospe em nossa democracia. O PT é cúmplice de Fidel Castro, e quem vota no PT é cúmplice também. Eis a verdade.

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