terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Não é somente o Brasil que faz eventos bilionários às custas da população: Sochi 2014 também

A Rússia de Putin, que abriu os jogos de inverno de Sochi com claras apologias ao comunismo, é o retrato da desolação do povo em prol de uma imagem externa mentirosa.

Fonte: SERGIO LIMA
A escolha de Sochi, um conhecido resort subtropical russo para sediar os próximos Jogos Olímpicos de inverno, e seu orçamento de 51 bilhões de dólares, são uma agressão ao povo da Rússia e mais uma mancha para a história deste imoral Comitê Olímpico Internacional, uma entidade sem nenhum comprometimento serio com o legado olímpico e que já não parece ter vergonha de vender seu circo a qualquer um que aceite escrever o cheque no valor acertado.
Os Jogos de Sochi não serão simplesmente os mais caros da história — se somados o que gastaram TODAS as 21 cidades sedes para promover cada uma das edições anteriores desde 1924, os valores não atingirão aos gastos pelo governo russo para 2014.
Para se ter uma ideia de valores, a empresa de um dos secretários de Putin ganhou o direito de construir um trecho de 45 quilômetros de pista e outro de ferrovia lado a lad — e em tal obra foram gastos nada menos que 9 bilhões de dólares.
Segundo moradores locais, nem se a estrada fosse forrada de ponta a ponta com o caríssimo caviar negro russo o custo poderia ter chegado a tanto. Já o construtor da obra explica que os desafios de engenharia na construção foram tremendos e justificam plenamente os gastos de 200 milhões de dólares por quilômetro.
Empreiteiros menores que resolveram denunciar o que ficou conhecido como o festival da corrupção, relataram que a maioria das grandes obras foi entregue aos amigos pessoais do presidente e para que qualquer pequeno empreiteiro tivesse alguma chance de trabalhar em qualquer tipo de obra teria que pagar o equivalente a 12% de comissão aos burocratas governamentais de segundo escalão.
Com suas belas palmeiras, Sochi é um dos lugares mais quentes de toda a Rússia e é também conhecido como o local onde o presidente Wladimir Putin e seus amigos, todos magnatas ligados ao poder, passam suas férias de verão.
Também neva em Sochi, mas não sempre, e como os Jogos precisarão de neve para grande parte de suas competições, a solução para garantir a existência de neve em Sochi foi a de refrigerar com tendas termicas especiais boa parte de qualquer neve que caísse durante todo o último ano. Ao custo de 10 milhões de dólares é quase certo que as tendas térmicas serão as responsáveis por quase toda a neve que veremos pela TV durante os Jogos.
Mas tão grave quanto as extravagâncias e o superfaturamento das obras faraônicas promovidas por Putin é a falta de uma imprensa sem liberdade para questionar as autoridades e levar ao povo informações importantes referentes a maneira como é administrado o país.
Grande parte da população não tem a menor ideia dos custos ou escândalos ocorridos em Sochi.
As TVs e rádios estatais mostrarão outra vez uma Rússia gigante e poderosa, com centenas de dignatários de todo o planeta aplaudindo um dos mais anti-democráticos governantes de todo o mundo.
Segundo políticos da oposição russa, o país enfrenta hoje seríssimos problemas de infra estrutura com falta de hospitais e escolas em todas as regiões e com a qualidade de vida de sua população em alguns locais podendo ser comparada aos países mais pobres do mundo.
Mesmo assim, o governo federal liderado pelo senhor Wladimir Putin achou mais importante gastar bilhões num evento de poucos dias para mostrar ao mundo uma nova e moderna Rússia que todos sabem não existir.
Com a expectativa de vida média de 69 anos para mulheres e 63 para homens, números iguais aos de Botswana na África, a maioria dos 140 milhões de russos tem vivido em dificuldades, muitos dividindo casas degradadas com pouca água e sistema precário de esgoto, entre eles 20 milhões que vivem muito perto do estado de pobreza absoluta.
Enquanto isso, aqueles que ousaram denunciar os esquemas à imprensa internacional, vivem escondidos temendo por suas vidas, ou sem mais condição de suportar o medo, acabaram por deixar o país por receio de serem vítimas de assassinos contratados por amigos do governo.
Só nos resta a vã esperança de que em algum momento as populações de todos os países acordem e tenham coragem para questionar e denunciar como crimes contra a humanidade a imensa massa de recursos públicos gastos para promover o chamado esporte de alto rendimento e sua indústria quase sempre suja e corrupta.


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