terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

As regalias dos “homens do povo” na Papuda

Por Rodrigo Constantino

O PT confunde partido com governo, e governo com estado. Para os petistas, todas as instituições devem servir aos interesses partidários. Apesar de toda a retórica de “homens do povo”, defensores dos fracos e oprimidos, a verdade é que o PT se julga acima de todos e das próprias leis.
Caso emblemático é a postura de privilégios dos presos no presídio da Papuda. O Ministério Público pretende investigar as regalias que os petistas têm conseguido na prisão:
A Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe), vinculada ao governo petista do DF e responsável pela administração dos presídios, será convidada a prestar esclarecimentos sobre visitas especiais no Centro de Internamento e Reeducação (CIR), onde está o ex-ministro José Dirceu, e sobre uma suposta proteção ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que passa as noites no Centro de Progressão Penitenciária (CPP).
[...] 
O deputado distrital Chico Vigilante, líder do PT na Câmara Legislativa do DF, contou ao GLOBO que entra na Papuda “a qualquer momento”.
Já no CPP, fora da Papuda e destinado a presos que têm autorização de trabalho externo, o vice-diretor Emerson Bernardes perdeu o cargo depois de tentar coibir regalias a Delúbio. Ele foi demitido por ter ordenado que o ex-tesoureiro retirasse a barba e por ter proibido que o carro da CUT — onde Delúbio trabalha — estacionasse no pátio interno. Além disso, registrou ocorrência sobre uma conversa entre o petista e o presidente do Sindicato dos Agentes de Atividades Penitenciárias do DF, Leandro Vieira, num fim de semana.
As leis só devem funcionar para os outros, não para petistas. Esta parece ser a crença deles. O império de leis isonômicas, igualmente válidas para todos, é uma das mais importantes bandeiras liberais, contra justamente privilégios de “amigos do rei”. Como fica claro, o PT e boa parte da esquerda parecem rejeitar esse pilar do liberalismo – como tantos outros. O editorial do GLOBO acertou o alvo, ainda que de forma tímida:
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É grave, muito grave! É o PT rasgando regras institucionais para proteger os seus. É o escárnio diante das punições sentenciadas pelo STF.
Falar em nome do povo não é o mesmo que ser parte do povo. O PT é um partido de elites arrogantes, em muitos casos endinheiradas, e protegidas por benesses estatais das regras válidas para os simples mortais. Mas ainda há quem acredite que o partido defende os interesses populares…
Rodrigo Constantino

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