Um dos vice-líderes do PT na Câmara, o deputado federal Fernando Ferro (PE) subiu à tribuna da Casa nesta quinta-feira (27) para declarar o apoio da bancada petista ao governo da Venezuela. O parlamentar do PT criticou a onda de manifestações públicas contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, sucessor de Hugo Chávez. Já a oposição denunciou violação de direitos no vizinho sul-americano.

A Venezuela enfrenta momentos de tensão nas últimas semanas após estudantes e líderes da oposição saírem às ruas para protestar contra o regime chavista. Em contrapartida, simpatizantes de Nicolás Maduro também passaram a manifestar apoio ao chefe do Executivo venezuelano.
Os protestos na Venezuela se intensificaram devido à escassez de mercadorias no país, alta dos preços e elevados índices de criminalidade. Ao menos 14 pessoas morreram desde o início dos protestos.
Aqui manifestamos a nossa integral solidariedade ao governo da Venezuela, porque foi soberanamente eleito e está, portanto, dentro dos marcos da democracia"
— Fernando Ferro (PE), vice-líder do PT na Câmara

Discursando como porta-voz da liderança do PT na Câmara, Fernando Ferro disse que o cenário venezuelano não é de "pânico" como, segundo ele, estariam tentando demonstrar os opositores do governo Maduro. Segundo o parlamentar petista, estaria ocorrendo "montagem de fotografias e instrumentos de mídia" para tenter desgastar o presidente venezuelano.

"Aqui manifestamos a nossa integral solidariedade ao governo da Venezuela, porque foi soberanamente eleito e está, portanto, dentro dos marcos da democracia", ressaltou Ferro. 
O deputado pernambucano relatou ter se reunido com o embaixador venezuelano no Brasil, Diego Alfredo Molero Bellavia. De acordo com Ferro, os serviços de inteligência do país vizinho teriam identificado "infiltrações de grupos externos" nos protestos.
Há uma omissão da Dilma, ela tergiversou. O PT expressou o que a Dilma pensa e não teve coragem de dizer [...] O que a Dilma está fazendo está comprometendo a liderança do Brasil na América Latina e o respeito e a credibilidade internacional do país"
— Mendonça Filho (PE), líder do DEM na Câmara

Na opinião do deputado petista, há interesse internacional em desestabilizar a Venezuela, em razão das reservas petrolíferas do país, um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Para Fernando Ferro, Brasil, Argentina e Equador também "correm o risco" de serem alvos de manifestações semelhantes. 

O discurso do PT da Câmara ocorre três dias após a presidente Dilma Roussef declarar a jornalistas, na Bélgica, que não faz parte da política externa brasileira se intrometer em temas como o da Venezuela.
"Não cabe ao Brasil discutir a história da Venezuela, nem o que a Venezuela deve fazer, porque isso seria contra o que nós defendemos em termos de política externa. Nós não nos manifestamos", disse a presidente.

Críticas da oposição 
Para líderes oposicionistas da Câmara, o Palácio do Planalto está "comprometendo" a liderança do Brasil na América Latina. Na avaliação do líder do DEM na Casa, deputado Mendonça Filho (PE), a chefe do Executivo tem se omitido em relação à crise no país vizinho.

"Há uma omissão da Dilma, ela tergiversou. O PT expressou o que a Dilma pensa e não teve coragem de dizer [...] O que a Dilma está fazendo está comprometendo a liderança do Brasil na América Latina e o respeito e a credibilidade internacional do país. Ninguém pode respeitar um país democrático que não defende aquilo que é consagrado na Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, opinou Mendonça Filho.
Já o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), afirmou que a oposição chegou a apresentar na última terça (25) requerimento que sugeria aprovação de moção de repúdio contra o governo venezuelano e contra a repressão policial às manifestações públicas. O pedido, no entanto, não chegou a ser votado pelos deputados federais.

"As manifestações democráticas não podem ser tratadas conforme o governo de Nicolás Maduro está fazendo, calando a oposição e a imprensa. Também está usando a Justiça comum e eleitoral a seu favor. E agora faz as suas milícias agirem contra manifestantes. Como é que o governo brasileiro se manifestou por liberdade na Ucrânia e na Venezuela faz o contrário?", questionou Rubens Bueno.